segunda-feira, janeiro 17, 2011

Caio F (1)

E agora, Caio F.?
Agora, estou amanhecendo.
Ah, me digo, então era assim. Essa coisa, o amor. Já conheço? Já conheço. Mas como é mesmo que se chama? Também não estou certo se estarei mesmo amanhecendo. Talvez, sim, anoitecendo, essas luzes penumbrosas são muito parecidas. Não sei muita coisa. Quase nada. Pedi? Levei. Nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. Nunca tinha tido um jeito assim, tão forever. Não me diga que vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. Não me diga que foi ótimo, o que você queria, a eternidade? Não me peça para não te encher o saco lamuriando. Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um little help from my friends, e a plateia ainda aplaude de pede bis (o Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe.
( Caio Fernando Abreu- Para sempre teu )

sexta-feira, dezembro 31, 2010

2011

"Depois de várias tempestades e naufrágios o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."
(Caio Fernando Abreu)

Para começo de conversa, desejo a todos um ótemo 2011!
Bom, apesar do título ser 2011, vou me ater um bocado em 2010.
É costume meu avaliar o ano que se passou. Meus pontos fortes e fracos e aspirar o novo que virá.
Fecho 2010 com chave de ouro, e não espero uma vida nova, numa nova porta como costumava desejar há algum tempo. Pois nesse ano aprendi que revoluções muito radicais deixam a gente um pouco covarde. A palavra que definiu esse ano foi a leveza. E como já havia sido previsto por mim em 2009, foi doce.
Aprendi um jeito estranho de encontrar o equilíbrio, fiquei mais calma, não me desesperei por qualquer coisa e aceitei que tudo é muito transitório. Na faculdade confiei muito na sorte do destino nas provas apesar de todo esforço.
A monitoria parecia não ter fim, nem o maldito PET que ainda não teve, rs...
Sinto que caminho cada vez para um lugar melhor. Porque tenho consciência e humildade para aceitar que ainda tenho muito o que aprender.
Coragem também foi uma característica interessante durante todos os dias desse ano.
Também percebi como o tempo está passando rápido, o quanto meus amigos a cada dia se distanciam mais. Que tempo de fato é você quem faz!
Descobri que me apaixono muito fácil e que não sei demonstrar o quanto eu gosto das pessoas. Que embora ninguém acredite eu sou sim tímida e carente.
Que a convivência diária é difícil sim, mas a gente amadurece muito.
Mas chega de 2010...

Agora um novo ano virá e sei que vai ser muuuuuuuuuito difícil.
A semiologia chegou!

2011 será regido pelo signo de determinação e disciplina.

Mas eu tenho esperança de que no fim desse 2011 vai ser vasto de realizações depois de tanta descrença e stress ao longo dele e que tudo isso junto vai sair um aprendizado incrível na vida adulta. Acho que vai ser mais ou menos quando comecei a fazer cursinho e me disseram no primeiro dia de aula: Vai ser o ano de você crescer.... E assim foi...

Algumas promessas já foram feitas para serem compridas pelo menos nos proximos 5 anos como:
Treinar meu inglês que está tribizarro.
Viajar. Viajar. Viajar ...a partir desse ano quero viajar pelo menos uma vez no ano.
Melhorar minha postura.
Aproveitar os carnavais.
Atingir meu peso ideal, rs.
Pular de para quedas.
Conhecer o Rio, Curitiba e Porto Seguro, Argentina e Mexico!
Dirigir sem representar um perigo para a sociedade.
Pegar o _ _ _ _ _ _ _ _ _ rsrs essa foi boa!
Melhorar minha alimentação.
Formar. Espero que de 2014 não passe!
Ir no show do Bon Jovi e no do Kiss também!
Aprender a jogar tênis
Fazer a trilha Teresópolis- Petrópolis
Morar numa cidade grande
Desencalhar! rs
Fazer aula de defesa pessoal.
Aprender dar uns tiros.
Ganhar na mega da virada...

Torço para que as oportunidades que surgirem sejam vastas e que eu tenha discernimento para saber escolher qual o melhor caminho.
E que eu tenha paciência e sabedoria para enfrentar os obstáculos do terceiro ano e da saudade de casa e de um grande amor!
E é assim que sigo rumo a 2011 de calcinha branca, rosa e amarela, Sete uvas e tres sementes e pé direito! ahuahauah

Apesar de tudo acho que 2011 tem jeito hein!
Vou agora lá ver os fogos da varanda, beijo a todos e Feliz Ano Novo!

segunda-feira, maio 31, 2010

Dois patinhos na lagoa!

"Mas hei mãe alguma coisa ficou pra trás,

antigamente eu sabia exatamente o que fazer..

Por mais que a gente cresça

há sempre alguma coisa que

a gente não sabe fazer..." ( Engenheiros do hawai)

Quando eu tinha 12 anos e me perguntavam o que eu queria ser/ ter aos vinte-e-poucos anos respondia que seria hiper-responsável, independente financeiramente, segura de mim mesma, e professora de educação física. Com a vida mais ou menos traçada, constituindo família com direito a um cachorro e filhos.

Aos 14 a idéia já mudava e me via poliglota, cursando agronomia haha. No meu mundo eu ia ter um jipe rosa e um Best friend gay, que era meu melhor amigo na época. Ele hoje vive em Franca e é enfermeiro, mas continua na mesma opção sexual. Hahaha...

Aos 15 eu ia fazer relações internacionais e meu namoradinho da época também. Então aos vinte-e-poucos seriamos um casal top, viajaríamos o mundo e depois nos casaríamos. E eu continuava ambicionando falar umas catorze línguas.

Aos 17 eu já queria fazer minha histerectomia , e morrer de tanto estudar. Ia fazer intercâmbio para Alemanha, tocar muito violão e depois aos vinte-e-tantos ser neuro-cirurgiã.

Aos 20 eu percebi que nenhuma dessas opções eram válidas, ou estavam disponíveis no meu mundo de fantasias. Nem na faculdade eu estava, e mal falava o português. Além de representar um perigo para a sociedade dentro de um carro. E como todo-mundo sabe música não é o meu forte! E então foi que percebi que pessoas de 20 anos ainda não estão firmes para andarem com as próprias pernas. Não sabem o que querem nem onde estão indo. E são dependentes de alguém por perto quando as coisas desandam.

Pois éh néh¿ Cá estou prestes a completar 22 anos em menos de uma semana. E a sensação é estranha. E eu que queria ter feito tanta coisa, como fico¿ Eu que nem o mar conheço ainda, que já tenho duas décadas e não vivi nada ainda. Tenho pensado muito no que estarei fazendo daqui a 5 anos, o que vou ser e o que irei representar. Em que e o que eu quero do meu lado. Faço listas. Enumero encontros com os amigos e cafés e tequilas que não acontecem....E fica o aprendizado de um inglesinho metido a sabichão:

.”..Depois de algum tempo você descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos... e aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão”

terça-feira, março 23, 2010

Como tinha de ser! (eerrr)

"...E quem um dia irá dizer
Que existe razão..."

Já tiveram aquela sensação de como a vida passa rápido¿ Mas é sentir. Algo taquicárdico, sudorese pelas axilas, pensamentos em flashs.
Eu estive fechada por muito tempo. Encerrei um ciclo logo de prontidão.Decretei falência, e coloquei sete cadeados. Excluí estilos musicais, até pouco tempo me doía ouvir qualquer coisa nacional do tipo Kid Abelha, Ana Carolina, Skank, Wanessa Camargo e a da mata também, LS Jack, Charlie Brow, Raimundos, Marisa Monte, Djavan, Leoni, Nando Reis e afins ( não que tenha gostado necessariamente, mas eram as musicas da época. ) E vocês sabem, trilha sonora vital não é a gente que escolhe, é natural. É a música que toca enquanto você dança com alguém e aquela que seu vizinho canta enquanto toma banho e fica igual chiclete na cabeça. ( Ta ok. É segredo. Eu gosto.)
Foi então que as chaves se abriram... Finalmente recuperada, ( quase totalmente ), numa-quarta-feira-véspera-de-prova-de-farmaco tocou a música. E eu que fugia como o diabo foge da cruz fui pega de surpresa. Abri a pasta, 81 arquivos em MP3. E eu que passei por quase 4 anos entre Rocks e MPBs, quase tive uma epilepsia. Tocou fundo em mim.

"...E o Eduardo ainda estava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão..."

Me renderam boas recordações. Do CPN, (sábado de sol no clube ), de como éramos lindos, inocentes e queríamos ser hiperresponsivos e adultos com carteira de carro, num tempo em que dava aquela sensação de frio na barriga só de falar que íamos a alguma festa ( VIP!).

" ...É quase duas e
eu vou me ferrar..."

Os tempos de estadual, “a melhor escola do mundo” ( hahaha...To sendo irônica). NO TEMPO QUE NÃO EXISTIA ORKUT! (Puts eu to velha!). Do grupo de jovens que frequentavamos, sem nenhuma fé mas pelas amizades. O Hallel mais louco! Das biritas na exposição, perdida naquele sobe e desce a procura de alguém, quase sempre nós embreagados.

"Tem uma festa legal
e a gente quer se divertir!
" Festa estranha,
Com gente esquisita
"Eu não 'tô' legal,
Não agüento mais birita!"

Resgatei “o não sei viver sem ter você”, e do “velho all star azul” e quis voltar no tempo, rs.
As trilhas sonoras clássicas de Malhação ( faz tempooooooo!), Charlie Brow lembrou demais da conta os tempos do curso de inglês e os namoros após aula, em como cada escolha é uma renúncia, isso é a vida....hahaha.

"E ele ainda nas aulinhas de ingles..."

Gostoso demais da conta!
Meninos e meninas irresponsáveis. Mas isso que era lindoooooo na gente. Só sei que fiquei com o coração na mão e de boca-aberta- babando quadradinhos. Fugi muito tempo disso dizendo que foi a pior fase da vida ( e sou rebelde!), que nada.... é linda, mais bonita que de Robson Cruzoé.


"...E a nossa amizade dá saudade no verão.
Só que nessas férias não vão viajar,
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação. Ah! Ahan!"
(Eduardo e Mônica- Legião Urbana
)




segunda-feira, março 01, 2010

Deuses

"E no final das contas, você terá que decidir quem você quer servir...."

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Amores em potes de café

Acho que todos aqui já tiveram a sutil experiência de, no alto de seus seis ou sete anos, cultivar um feijão em um copo de café (....)E a gente se apaixona, dessas paixões bestas e infantis, por aquele pequeno broto de vida. E a gente vai acreditando que aquilo vai frutificar, vai encorpar numa convidativa árvore. Até que o feijão, sufocado pelo próprio crescimento, como uma traição: ele definha. Foi tanta vida em tão pouco tempo que se terminou ali, antes de virar alguma coisa. E ficamos no eterno exercício do talvez, se o solo fosse mais fértil que um simples algodão, se não houvesse tanta ou tão pouca água, se eu tivesse sido mais cuidadoso. E depois aprenderíamos, com os mesmos feijões em algodão, que pouco adiantaria cultivá-los assim para depois tranferi-los para a terra fofa, fértil. Eles, da mesma forma, morrem. É da natureza dos feijões serem assim, fugazes e instantâneos. Brotos de vida que se revelam nas frestas e, com a mesma velocidade, desaparecem diante dos nossos olhos.
E depois disso, vamos cultivar outras coisas. Peixes de aquário, são bernardos, bonsais. Até iguanas. Fica o aprendizado inconsciente, das coisas que passam sem percebermos e só bem depois, em outro momento, em outra sintonia, damos conta da importância de uma coisa tão diminuta assim.

Não era para dar certo. Desde o início, eu já esperava. As milhas de distância( 700 km), as diferenças intrínsecas, os momentos de vida opostos. O que não impediu de crescer, algo intenso e bonito. Algo louvável, gostoso de ser lembrado. Mas com essa peculiaridade, essa condição sine qua non: a finitude. Como acho que toda coisa da vida deveria ser enfrentada, afinal, de eterno só temos as estrelas e os diamantes.
E nem porque são finitas as coisas não deixam de ser belas. Até amores em copos de café...


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, dezembro 31, 2009

E vamos indo para 2010

E não podia faltar o balanço do ano.

2009 foi um ótemo ano.

Um ano de muita liberdade conquistada, cidade nova, pessoas maravilhosas de todos os lados do país por perto de mim. Sotaques misturados, culturas diferentes.
Que o mundo é grande e as pessoas interessantíssimas!

Muita segurança conquistada, foi um ano de reafirmação. De que realmente sou forte e posso superar o instável. Foram dias suados, vésperas de provas estressantes.

Foi um ano de conhecer o desconhecido, de fazer contagem regressiva pra ir embora pra casa.

2009 tirou planos do papel tornando-os reais.

Mas não foi só isso, foi um ano para perceber quem é que vale a pena nessa vida, dei valor a realmente quem merece e se importa comigo. Porque sou leonina nata nesse ponto.

Coloquei cor nos meus dias. Percebi que a diversão, as biritas são necessárias p/ sacudir a rotina. E como são!

Foi um ano equilibrado. Aprendi muito.
Aprendi que oportunidades são únicas. Estão na sua frente naquele momento porque uma força maior convergiu aquilo para aquele momento único e que para isso acontecer foram necessárias outras mudanças no quebra-cabeça da vida. Então, estou agarrando as que encontro por aí.

Aprendi a não esperar muito. Ação. Este foi o verbo que ganhou força ao longo do ano.

Também percebi que as coisas tem um porquê para acontecerem. E depois de mais ou menos um ano a gente acaba entendendo esses porquês.

Aprendi a ser mais fria também, a me importar menos. Aceitar. Aprendi a não esperar muito das pessoas. A não desesperar diante de um problema e não ficar demasiadamente feliz com qualquer vitória que seja.
Pois como diria aquele velho amigo inglês o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Sei que 2010 virá doce! Tenho confiança de que virá tranquilo e vai ser O Ano!


Por fim, desejo a todos um ótemo 2010. E que este seja vasto de realizações pessoais. Muita luz, equilíbrio, paz e lógico dinheiro a todos que são de bem!
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